24/08/2026

Abigeato desafia pecuaristas e impulsiona adoção de tecnologias de monitoramento do rebanho

Em propriedades extensas, ferramentas de rastreamento ampliam a visibilidade sobre os animais e ajudam a identificar movimentações fora do padrão com mais rapidez 

 

O avanço do abigeato tem levado pecuaristas a reforçar os sistemas de monitoramento dos rebanhos e a buscar novas formas de ampliar o controle sobre os animais, especialmente em propriedades de grande extensão. Em fazendas onde o gado permanece distribuído por centenas de hectares, acompanhar a movimentação do rebanho e identificar situações atípicas continua sendo um dos principais desafios para a segurança patrimonial. 

 

No Rio Grande do Sul, por exemplo, foram registradas mais de 1.300 ocorrências de abigeato apenas no primeiro semestre de 2026, um aumento de 8% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado. Embora não exista um levantamento consolidado em nível nacional, o crime é uma preocupação recorrente em importantes regiões pecuárias do país. 

 

“Com ações cada vez mais planejadas, os criminosos observam a rotina das propriedades, identificam vulnerabilidades e atuam justamente quando a distância entre o produtor e o rebanho dificulta uma resposta rápida”, afirma Bruno Nolasco, gerente de negócios agro da Belgo Arames.  Segundo ele, o cenário é ainda mais complexo em propriedades extensas. “São quilômetros de cercas, diferentes áreas de pastagem e animais espalhados por grandes distâncias. Cercas, controle de acesso e rondas continuam sendo fundamentais, mas o produtor também precisa de informações que permitam acompanhar o que acontece além do seu campo de visão”, explica. 

 

Nesse contexto, tecnologias de monitoramento vêm ganhando espaço como aliadas da gestão e da segurança no campo. Além de auxiliar no inventário dos animais, essas ferramentas permitem acompanhar a movimentação do rebanho, identificar comportamentos fora da rotina e registrar informações que podem apoiar eventuais investigações. 

 

“Quanto mais rápido o produtor identifica uma situação incomum, maior sua capacidade de reação. A tecnologia funciona como uma extensão da observação humana, ampliando a visibilidade sobre áreas que muitas vezes estão distantes da sede da fazenda”, destaca Nolasco. 

 

Uma das soluções disponíveis para esse acompanhamento é o Instabov Autotag, tecnologia desenvolvida pela agtech Instabov com apoio da Belgo Arames. A plataforma reúne brincos eletrônicos, antenas e um aplicativo integrado à inteligência artificial para automatizar o inventário do rebanho e monitorar a movimentação dos animais ao longo do tempo. 

 

Recentemente, o sistema passou a operar com conectividade via satélite, ampliando sua cobertura de aproximadamente 15 para até 1.000 hectares por antena. A atualização permite o funcionamento mesmo em áreas com pouca ou nenhuma cobertura de internet convencional, ampliando as possibilidades de utilização em propriedades de grande porte. 

 

Além de acompanhar a localização e a dinâmica do rebanho, o sistema permite realizar contagens de estoque até 30 vezes mais rapidamente do que os métodos convencionais, oferecendo informações atualizadas para apoiar a tomada de decisão na fazenda. 

 

“A tecnologia não substitui cercas, controle de acesso, rondas ou a atuação das forças de segurança. Seu papel é complementar essas medidas, ampliando a capacidade de monitoramento do patrimônio. Em uma fazenda onde os animais podem estar distribuídos por centenas de hectares, ter acesso às informações em tempo real significa enxergar muito além do que os olhos alcançam”, conclui Nolasco. 

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