25/05/2026
Repotencialização avança nos EUA e entra no radar do setor elétrico brasileiro
Estudo mostra expansão do uso de cabos ACSS para ampliar capacidade de transmissão sem construção de novas linhas; tema será debatido pela Belgo Arames no Sintre 2026
A evolução da demanda energética e a pressão sobre a infraestrutura de transmissão têm acelerado, em mercados como os Estados Unidos, a adoção de tecnologias voltadas à repotencialização de linhas existentes. A estratégia, baseada no uso de cabos avançados capazes de ampliar a capacidade de transmissão sem necessidade de novas estruturas, começa agora a ganhar espaço também no debate do setor elétrico brasileiro.
Esse é um dos temas que estará em debate no Seminário Internacional de Transmissão de Energia Elétrica (Sintre), realizado nos dias 27 e 28 de maio, em Brasília, pela Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica e pelo Instituto Abrate.
“O Brasil começa a enfrentar desafios semelhantes aos observados em mercados mais maduros, especialmente diante da necessidade de ampliar rapidamente a capacidade de transmissão. Nesse cenário, a repotencialização se destaca como uma alternativa técnica relevante, por permitir o aproveitamento da infraestrutura já existente, reduzindo prazos e limitações associados à construção de novas linhas”, explica Daniel Jardim, gerente do segmento de Negócios da Belgo Arames.
Segundo Daniel, o estudo “Advanced Conductors Accelerate the Future of Transmission”, conduzido pelo Idaho National Laboratory, aponta que aproximadamente 95% das utilities norte-americanas avaliadas já implementaram ou possuem planos de adoção de tecnologias avançadas de condutores, principalmente diante do crescimento da demanda associado à expansão de data centers, eletrificação industrial e integração de fontes renováveis.
Além da ampliação da capacidade de transmissão utilizando corredores já existentes, os estudos também identificam ganhos operacionais relevantes. Em um dos casos analisados, a substituição de condutores convencionais por cabos do tipo ACSS/TW em cerca de 105 milhas (cerca de 170 kms) de linhas resultou em economia operacional estimada em US$ 440 mil por ano.
A tecnologia mais aplicada nesse contexto envolve cabos HTLS (High Temperature Low Sag), como o modelo ACSS, capazes de operar em temperaturas significativamente superiores às dos condutores tradicionais sem comprometer critérios de segurança e desempenho mecânico. A substituição dos cabos convencionais permite elevar a capacidade de transmissão mantendo a estrutura original da linha.
Com o avanço desse debate no país, o tema será destaque na palestra “Experiências Internacionais no Uso de Cabos ACSS para Recapacitação de Linhas”, apresentada por André Alves de Sousa, engenheiro de Aplicações dos segmentos de Energia e Telecom da Belgo Arames. A empresa acompanha esse movimento por atuar no fornecimento de tecnologias em arame de aço aplicadas ao núcleo de cabos condutores utilizados em linhas de transmissão.
Segundo Jardim, o cenário brasileiro tende a aumentar a relevância desse tipo de solução nos próximos anos. “Hoje já existe uma pressão crescente sobre o sistema elétrico, impulsionada pela expansão da geração renovável, novos projetos industriais e aumento da carga em regiões estratégicas. Em muitos casos, construir novas linhas não será a resposta mais rápida ou viável”, destaca.
Além dos desafios regulatórios e ambientais para implantação de novos corredores, o setor também enfrenta restrições de prazo. Atualmente, projetos de novas linhas de transmissão podem levar mais de cinco anos entre licenciamento, aprovação, construção e entrada em operação.